sábado, 28 de abril de 2012

Uma tarde com Lola


11/4/11
É pedido à Lola que escreva no quadro números de dez em dez. Ela o faz, sem dificuldades, até o número 100. A partir de então, coloca 10010, 10020, 10030, etc. Nesse momento, percebe que estes estão muito grandes e retira o último zero, transformando-os em 1001, 1002, 1003, ..., então, entro em pânico, eu já havia lido sobre isso, mas não sabia como agir naquele momento. Intervenho perguntando-lhe se lembrava-se do estudo que havíamos feitos sobre ordens e classes. Respondeu-me que sim: unidade, dezena, centena.
Voltei com ela ao material dourado e lhe pedi que me mostrasse 110. Mostrou-me uma placa (100) e uma barra (10). Perguntei-lhe, quantas unidades estavam representadas na barra, respondeu corretamente 10. Pedi-lhe então que escrevesse 110 no quadro valor de lugar. Escreveu 1 na ordem das centenas e 1 na ordem das dezenas, deixando a ordem das unidades em branco. Voltei ao material dourado e perguntei o que colocaria na ordem das unidades, ficou pensando, coloquei um cubinho ao lado da barra e perguntei se ali havia cento e dez, disse-me que não, pois o cubinho representava uma unidade, então, tínhamos 111. Decidiu, então, que nada colocaria e completou o espaço vazio com um zero (certamente por saber que o zero em matemática representa o nada, o nenhum).
Desenhei uma tabela no quadro e a pedi para completar de dez em dez, recomeçou a escrita, escrevendo até o 190. Não conseguiu escrever nada depois disso, colocava o 1 da centena, mas sabendo que não há algarismo depois do nove, o apagava sem saber o que fazer. Aguardei alguns minutos por um insight, não tendo ocorrido, chamei-a de volta ao material dourado. Pedi-lhe que formasse 190 no material, lhe entregando a placa que representa a centena. Lola colocou a placa sobre a mesa e foi pegando barras que em muito ultrapassavam noventa. Vendo que a tinha tentado influenciar e que ela não estava conseguindo formar 190 com a placa da centena mais as barras, propus-lhe recomeçar, devolvendo todas as peças para a caixa. Lola pegou barras, eu nada disse, acompanhando seu raciocínio. Quando completou dez barras, perguntou-me: posso trocar? Tendo a resposta afirmativa trocou-as por uma placa e pegou mais nove barras.
Pode parecer estranho, mas ela não conseguiu completar o numeral sem elaborar sozinha que uma placa corresponde a dez barras, embora já tenhamos trabalhado isso anteriormente.
Após ter completado 190, disse-lhe para continuar a contagem de dez em dez. ela pegou dez cubinhos (para meu espanto, que julgava que pegaria uma barra), trocou-os por uma barra, contou a quantidade de barras e trocou-as por uma placa.
Perguntei-lhe quantas unidades tinha agora e ela não soube responder. Peguei uma placa e perguntei quantas unidades tinha, respondeu corretamente (100) peguei a outra e fiz a mesma pergunta, confirmou 100. Perguntei-lhe se juntando as duas, com quantas unidades ficaria. Após pensar por um tempo, respondeu duzentos. Mandei-a escrever na tabela que estava no quadro ela então desenhou no espaço que havia para escrever o numeral um pequeno quadro valor de lugar (qvl) e colocou o 2 na coluna da centena. A partir daí, desenhou qvl em todos os espaços e escreveu corretamente números até 290. Ao chegar lá, novamente empacou e não escreveu 300.
Voltamos ao material dourado e pedi que formasse 290, desta vez o fez com facilidade, pegando duas placas e nove barras, pedi-lhe que acrescentasse dez e ela pegou outra barra, trocando-as imediatamente por outra placa. Levou um tempo somando as três placas e colocou no quadro (ainda amparado por qvl) o numeral 300. Depois disso, ao chegar ao 390, não teve dúvida e cravou o 400, sem qualquer hesitação.
Pedi-lhe então que escrevesse, numa folha, números de 10 em 10 até mil e ela o fez, sem dificuldade.

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